quinta-feira, 28 de março de 2013

O Poetizador

quinta-feira, 28 de março de 2013 0 comentários
/poesia enlatada/

O Poetizador


Fosse Sol ardente ou estrondosa chuva
Viam-no e furtivamente assistiam-no
Com calças flaneladas de um velho terno
Abrindo passagem em toda rua e toda via

Cabisbaixo vem o moço voltando de uma história
Diziam os pedestres do lado externo
Em um tempo mais novo e moderno
Portando celulares e computadores e tecnologia

O moço da camisa nas calças ia tímido
Sonhando com uma donzela de belos cabelos
Delírios dum rapaz de espinhas e sonhos fundido

Piamente acretidava que era avirginada
E que o amava e com ele também sonhava
Mas a falsa musa não era sua, era (ro)dada.

domingo, 10 de março de 2013

Poemologia

domingo, 10 de março de 2013 0 comentários
/poesia enlatada/
Poemologia

An
ti
ga
ar
te
cra
va
da
Em
pe
dra
quan
to
es
pa
da
Cu
ja
pro
du
ção
tão
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dua
Mui
tos
lei
gos
de
sa
gra
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Im
pos
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Men
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ti
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dei
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ra
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za
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Sem
me
tro,
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sem
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Re
que
rem
se
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ra
ção

Es
sas
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bas
de
lei

Fi
lhas
d’al
gu
ma
ra
zão









Pa
la
vras
-tan
tas-
de
Rei

Con
ver
tem
em
mal
di
ção

Re
zas
de
pa
dre
e
pre
ce

Espertos mesmo são Camões e Moraes
Que a transformam em rima-matemática
Sentimentalizar (a arte de) racionalizar

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ideias de papel e megafone

domingo, 17 de fevereiro de 2013 0 comentários
Quando a boca assopra, é para tornar o pó distante. Quando a boca fala, o pó tremeluz e se desfalece até se unir ao nada.
Que venha o novo e que venha o mais.


N/A: se der tempo, certo e empenho, logo tem coisa nova. ou não.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Soneto 116

terça-feira, 18 de dezembro de 2012 0 comentários
Shakespeare


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.


(Escrito por Shakespeare, aqui enchendo linguiça)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dicionário 2º Infinitivo

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012 0 comentários
/poesia enlatada/

Dicionário 2º Infinitivo


Só se conhece o certo quando vira errado
E sabe se foi real após vê-lo partir
Para longe ou para o outro lado.
.Acaba quando o resto faz apenas ferir,
quando até o Sol vira acinzentado.
Sentimentos são passadas na areia
Eternamente sendo levados pelo tempo
Ou apagados pelo mar à lua cheia
Atrás dos que caminham exalando desalento.
Mar este que faz sofrer demais
Reflete as cores em branco-e-preto
De suas lamúrias, lágrimas faz.
.Elas arrebentam na praia e resplandecem em verso.
Com suas palavras, você chora seu contorno,
e com os sons, compõe uma orquestra de toques
no violão, no sonho
em lugares que não esquece.
Eis que, ao horizonte,
meio de relance,
assiste ao que fugiu pra longe
Meio numa hipnose, sem conseguir sair do transe
Os olhos não querem desviar
E assim descobre onde era ‘lar’.
E aprende que era
amor
Quando, ao longe, alguém fala o nome
E você só fica a escutar.
.Sente que dói.
Afinal,
dor
é estar à deriva
no profundo oceano negro
Ter na mão uma corda que te puxa até a borda,
todavia, a mente manda afundar em desespero.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ode ao Amor Mórbido

sábado, 1 de dezembro de 2012 0 comentários
/poesia enlata/

Ode ao Amor Mórbido

Há tanto estou cansada
Só quero não ter que te querer aqui
Queria não querer nada
Quem sabe, saber sentir

Há tanto, de desejos e vontades,
Estou tão nua
Mas tudo bem, até o Sol
Sente saudade de sentir a Lua 
E o pássaro quer sair da jaula 

Quem dera eu fosse pássaro a voar 
Essa distância mundo não seria mais 
Quem dera você fosse menos Sol 
E eu fosse menos Lua 
Não seria como é, lindo Rouxinol 
Ver-te queima, machuca 
Quem dera eu fosse menos terra 
E você fosse menos mar 
Não teria toda essa maré de espera 
Esse querer te ver e não encontrar 

Mas é assim que o mundo gira 
É assim que a maré vira
O Sol não parará de queimar 
O pássaro não voltará a voar 
E eu não posso vencer o espaço 
Nem sentir de novo 
Nem querer(-te) 
(te-) beijar

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vento no Litoral - Renato Russo & Cássia Eller

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Partida (não falada)

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/poesia enlatada/

Partida (não falada)

Ah, por ti me apaixonei
Teus olhos, teu cabelo, tua paz
Amar de amor doado - não foi
Desse jeito não amo mais
Apesar de tudo
Não me trouxeste as cores que o mundo
faz
Que só ele traz
E dele quero um pouco mais
Meus sentimentos te repudiam, inexoráveis como um escudo
Preciso seguir de você, fiquei demais
Meu barco de papel solta vela
E saio logo desse cais.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ruivamando na Caixa d'Água

quarta-feira, 24 de outubro de 2012 0 comentários
/poesia enlatada/

Ruivamando na Caixa d'Água

Um degradê

dentro do lúgubre infinito
Do branco ao preto ao branco
E laranja (com fios loiros esquecidos)

Olhos verdes jamais vistos

Assistindo à esquerda apagada da noite
Esmaecida, esquecida; bonito
Te querendo (das 3 às 5)

sábado, 20 de outubro de 2012

Querido Meu Nunca, (parte 1)

sábado, 20 de outubro de 2012 2 comentários
/querido meu nunca/

Querido Meu Nunca, (parte 1)

Querido meu nunca,
Parte de mim quer dizer adeus, mas parte de mim ainda quer tentar. Presa em palavras jamais proferidas, perdoe-me por ter me engasgado e sufocado com o som do silêncio que emanou de nós. Ô menino, vê e diz que vai voltar quando acabar tua volta pelos confins desse mundo, quando as luzes das cidades se apagarem, quando o som não mais te encantar e tua mente ensurdecer. Ô menino, volta pra casa. Cansei de ter-te ao meu lado sem saber se sente meus abraços e afagos, se os beijinhos e os carinhos trocados ainda são revividos, sem saber se entre paredes e sofás tua imaginação ainda voa intensa como as mãos percorreram uma vez. Se só mandar bilhetes não funcionar, fique bem longe, fique bem. Gosto demais de você pra não fazer parte da minha vida, e sofrer por vento vai dos ares até o nada, e o coração que dói é derramado em vazio. Cai em forma de poesia.
Contudo, só suma se souber que te amo de mentirinha.
As luzes da cidade ainda brilham? Aqui as estrelas que já morreram ainda reluzem, e o tempo que corre ainda anda devagar demais. Por vezes demais me pergunto como você está, onde anda, se anda bebendo, se começou a fumar, se ainda se esgueira pelos cantos da noite com várias ‘elas’, se ainda tem aquele sorriso-malícia naquela expressão com olhos oblíquos e o rosto que grita: garota, vou quebrar seu coração! Não sou do tipo nostalgia, mas hoje na rua vi nós dois caminhando há um tempo atrás, quando tudo começou com um sussurro sapeca e acabou com um adeus mal acabado. No meio dessa história você era gravidade que flutuava pelas manhãs e pelas tardes; e às noites, às noites mergulhava em um mar de som e tudo, uma música misteriosa que cativava e conquistava o seu redor; e eu era uma bailarina dançando e fazendo piruetas pelo seu labirinto, uma equilibrista segurando travessias por cima de muros e por baixo de túneis, um sorriso ingênuo brilhante como o sol que dava ritmo ao teu som. Foge comigo, devolve o meu ritmo, o que pegou emprestado e faz a tua batida virar música de novo. Vê se ainda tá chovendo, que se estiver, a gente se molha.
Como resposta tua não quero mudez. Não quero ser ignorada, menino da cidade. O silêncio já se faz presente todos os dias e não é o som que quero ouvir, porque aqui dentro tá apertado, minha cabeça está me comendo inteira e o coração vai batendo num compasso estranho. Desacredito do teu nada, porque temo que estejas certo. Mas oh, Deus! Sei que sou enganadora, vivo me enganado por qualquer coisa. Oh, Deus! Sei que sou mentirosa, vivo mentindo para o espelho por qualquer coisa. Por você. Será que você lê meus olhos e entende que nas minhas muralhas tem uma porta secreta, que balança atrás de (nós)(ti)? E como uma bala você aparece de repente me empurrando e trazendo à tona num segundo o que levei um ano para trancar à oito chaves, só para depois sumir como um fantasma. Não faz isso de brincar de ser real, garoto. Não faz que dói. Não faz que eu aturo, pois por você sou uma tola, uma boba, uma ingênua inexperiente que se deixa levar. Teu tudo me encanta, me fascina e me assusta. Fico à deriva por não achar esconderijo, (mal)fingindo que você foi só um qualquer um.
Saiba que se algum dia se sentir acuado pelo som da vida e pela luz dos carros, ainda tenho teu colar com o meu nome, e espero ao pé da porta com os braços abertos, o coração na boca, o relógio vagaroso ali do lado.
Os que têm sentido na cabeça disseram que era hora de deixá-lo ir, sair de mim. Acho que sim. Estamos sós agora, não estamos? Só não sabem que eu não tenho sentido na cabeça. Ela foi ocupada por um som que só aumenta, só aumenta, mais doce que paraíso e mais quente que o Sol, eu jurava ouvia-o também. Afinal, não é possível voar sem asas e cantar sem voz, então por que deveria deixá-lo sumir de mim? Deixa teu fantasma ficar, mesmo que acabes se apaixonando pelas musas cidade. Só te peço que não se conforme com pouco e abandone os sonhos que sei que tem.
Ô menino, vê se não esquece de mim, que eu ainda estou aqui, sentadinha no pé da porta, com o relógio estragado e o coração sem compasso.
Assinado, sinceramente sua.

sábado, 29 de setembro de 2012

Cazuza - O mundo é um moinho

sábado, 29 de setembro de 2012 0 comentários

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sinceramente, (falsa parte)

terça-feira, 25 de setembro de 2012 0 comentários
/poesia enlatada/

Sinceramente, (falsa parte)

Sou toda sua, sim
[Só não posso esquecer de cuidar de mim]
Beijos relaxados na manhã sem fim
Assistindo raiar um céu carmesim

Fumaça de nuvem cobre teu corpo
Canção de ninar que enaltece a música do nada
Oh, como persiste este amor morto
Calor que gela a alma queimada
[De saudade]

Por dentro, corrói
Verdade que foi, podia ser, não será
[Jamais será]
E tudo vai, o peito que cai, a alma que dói

Ai!
Te quero menos a cada vez que quero mais
Se prorroga a tortura mentirosa
Te quero mais a cada vez que vais
[Imaginação fluente]

Encontro alento em suas mentiras
[na verdade, minhas]
Que erro mais bonito
Esse que fizemos de carícias

Desalmadas, pesadas pesarosas
Beijos borboleteantes, como cítaras suaves suaves
Teu eu, voz dengosa
[Com gosto de chocolate e Coca-Cola]
Céu azul, noite clara em sombras graves

Coisa linda esse brincar de ser
[Não ser]
Sobrou carinho, afago, mundo girou, girou
Lembrem-se da corrida finita, acabou 'querer'

Teu tudo é Tão teu
Meu tudo é Tão tudo
[Meu nada é Tão teu]
[Eu meu é Tão você]
[Tão Tua, São sua por inteira]
O nada restou por demais
Acabou e pelo nada
Pelo nada
Chorare.           (Ponto em formato de lágrima)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ribeirinho da Beira do Rio

sexta-feira, 14 de setembro de 2012 0 comentários
/poesia enlatada/

Ribeirinho da Beira do Rio

Diz aí, ribeirinho,
como é morar na beira do rio
ver voarem as aves
as névoas nuvens nadando em nada.

Azul.

Flutuar, nascente à foz,
Saído do mágico início, abençoado seja.
Fadado a findar na ínfima foz,
Grandiosa foz.

Rema rema, rema, remador
Vai-se embora pelos rios
cantando as correntezas, águas sujas
Peixes boiando em sua juba, Xis Xis

Teu Sol se põe em sangue
Da vida que uma vez era, das cheias
agora tão vazias. Lagos,
poças.

Vermelhas.

Querida Vida, tão linda
tão viva, de linhas e círculos
e todas as formas,
a mais bela paisagem

Morta.
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